Guerra dos EUA contra usuários de drogas prejudica prevenção do HIV, afirmam especialistas em Washington
Líderes mundiais, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e especialistas em saúde pública querem aproveitar a realização da Conferência Internacional de Aids em Washington para chamar a atenção do futuro presidente dos Estados Unidos sobre a prevenção do HIV entre os usuários de drogas.
Nesta terça-feira, 24 de julho, será publicado no Political - respeitado site sobre a política norte-americana - um texto pedindo para que o democrata Barack Obama ou o republicano Mitt Romney olhem para as evidências científicas e tratem a questão do uso de drogas como um assunto de saúde pública.
A inciativa é da campanha Declaração de Viena, lançada em 2010 na Conferência Internacional de Aids na Áustria, e já conta com mais de 23 mil assinaturas.
“Nós, como membros da Declaração de Viena, estamos muito decepcionados com os governos que continuam a tratar usuários de drogas como criminosos e acabam por prender pessoas que não trazem nenhum perigo para a sociedade”, disse Evan Wood, fundador do Centro Internacional para Ciência e Política sobre Drogas. “Os especialistas em prevenção do HIV imploram para que o futuro presidente norte-americano repense este assunto”, acrescentou.
Além dos Estados Unidos, países poderosos como Rússia e China têm leis severas contra usuários de drogas.
No entanto, segundo pesquisas apresentadas na 19ª Conferência Internacional de Aids, a repressão acaba afastando os dependentes químicos dos serviços de saúde, aumentando a vulnerabilidade deles frente ao HIV. Por outro lado, políticas de redução de danos que, entre outras ações de prevenção, disponibilizam seringas descartáveis para dependentes de drogas injetáveis, obtêm resultados relevantes na redução da epidemia.
Segundo as Nações Unidas, fora da África Subsaariana, onde quase todas as infecções do HIV ocorrem pelo ato sexual, um de cada três novos casos de contágio do vírus da aids ocorre entre os usuários de drogas injetáveis.
Além de Fernando Henrique e de Evan Wood, apoiam a Declaração de Viena, o ex-presidente colombiano César Garvia; o ex-diretor do Fundo Global de Luta contra a Aids, Tuberculose e Malária Michel Kazarchkine, entre outras lideranças internacionais.
Lucas Bonanno, de Washington
Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=19388
