Especialistas em Aids receberam novos apelos nesta quarta-feira, 25, para expandir a assistência para as mulheres muito além de um enfoque global sobre a gravidez.
Muitos países têm aumentado o tratamento de mulheres grávidas infectadas pelo HIV para reduzir as chances de infectar seus bebês. Mas a Dr. Chewe Luo, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), disse que a maioria dos países não continuam automaticamente o tratamento dessas mulheres com drogas anti-Aids depois que seus bebês são desmamados - uma prática importante para mantê-los saudáveis a longo prazo. Ela elogiou o Malawi por começar a fazer exatamente isso.
E ela ainda ressaltou que meninas adolescentes - entre 10 e 18 anos de idade - muitas vezes são ignoradas por programas globais de testagem, prevenção e tratamento do HIV. Sem protege-las, argumentou, todo o investimento feito para os bebês serem saudáveis foi para nada. Enquanto isso, uma nova importante pesquisa importante está começando na África para determinar se um tipo especial de anel vaginal pode fornecer proteção para as mulheres sem seus parceiros saberem.
Pesquisas anteriores encontraram um gel vaginal anti-Aids experimental que oferecia uma proteção parcial, mas lembrar-se de usá-lo em cada ato sexual seria um obstáculo para algumas mulheres.
A nova tentativa: um anel vaginal que é inserido uma vez por mês e, lentamente, espalha uma droga anti-Aids em todo o tecido ao redor dele. O trabalho marca uma tentativa de "uma nova geração de ferramentas de prevenção direcionadas às mulheres", observou o` Dr. Carl Dieffenbach do Instituto Nacional de Saúde dos EUA na terça-feira, 24 de julho, ao anunciar a nova pesquisa na Conferência Internacional de Aids.
` Nós precisamos de opções que se encaixam facilmente na vida das mulheres``, acrescentou o Dr. Sharon Hillier, da Universidade de Pittsburgh e da Rede de Testes de Microbidas, que está conduzindo o estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde.
Desenvolvido pela organização sem fins lucrativos Parceria Internacional para os Microbicidas, o anel de silicone contém uma droga anti-Aids chamado dapivirine. Ao contrário dos anéis vaginais vendidos hoje em os EUA, o anel experimental não funciona como anticoncepcional. Por enquanto, o foco está somente na prevenção do HIV.
Estudos iniciais sugeriram que o anel poderia funcionar, e as mulheres afirmaram que preferiam usá-lo em vez de um gel, informou Saidi Kapiga, da Escola Londrina de Higiene e Medicina Tropical. Agora começam estudos necessários mais abrangentes para testar se o anel realmente funciona.
O estudo financiado pelo Instituto, chamado ASPIRE, vai envolver cerca de 3.500 mulheres em Malawi, na África do Sul, Uganda, Zâmbia e Zimbábue. Algumas vão receber ou um anel vaginal contendo dapivirine outras um anel idêntico na aparência, mas livre de drogas, a ser inserido uma vez por mês durante um ano.
O objetivo é verificar se a utilização do anel reduz o risco das mulheres se infectarem pelo HIV em pelo menos 60 por cento. As primeiras mulheres em Uganda foram inscritas na terça-feira, disse Hillier.
Um estudo com um anel menor envolvendo 1.650 mulheres começou no mês passado na África do Sul e pretende recrutar mulheres em Ruanda e Malawi, também. "Esse tipo de proteção com base vaginal deve causar menos efeitos colaterais que as pílulas, e estudos anteriores do anel não encontraram problemas", contou a diretora-executiva da Parceria Internacional para os Microbicidas. "Além disso, estudos em animais não mostraram nenhum sinal de que o anel poderia prejudicar o feto caso a mulher tenha engravidado ao usá-lo," acrescentou.
Redação Agência de Notícias da Aids
http://agenciaaids.com.br/clipping/aids_26072012.htm#_Toc331051337
